PLANO DE SALVAÇÃO

  • 19/09/2020
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PLANO DE SALVAÇÃO

CAPÍTULO 1 

Orientação PELA SUA TOTAL OBEDIÊNCIA AO PAI E PELO SEU SOFRIMENTO, morte e ressurreição, nosso Senhor Jesus Cristo conquistou-nos a salvação do pecado e de todas as suas consequências. Mas essa obra salvífica de Cristo não tem nenhum valor para nós até que tenha sido aplicada ao nosso coração e à nossa vida pelo Espírito Santo. O estudo da aplicação da obra da redenção ao povo de Deus é chamado soteriologia - termo derivado de duas palavras gregas, soteria e logos-, que significam "a doutrina da salvação". A soteriologia não foi sempre entendida da mesma forma. Charles Hodge, por exemplo, define-a incluindo o plano da salvação (predestinação e aliança da graça), a pessoa e a obra de Cristo e a aplicação dessa obra pelo Espírito Santo para a salvação do crente. 1 William G. T. Shedd tem uma visão um tanto mais estreita; para ele, a soteriologia inclui a obra de Cristo (excluindo a sua pessoa) e a aplicação da salvação pelo Espírito. 2 Nesta obra, entretanto, a soteriologia ou "doutrina da salvação", como é mais comumente chamada, deve ser entendida incluindo o estudo da aplicação das bênçãos da salvação ao povo de Deus, e sua restauração ao favor de Deus e à vida de comunhão com ele em Cristo. Fica subentendido que essa aplicação é obra do Espírito Santo ainda que tenha que ser apropriada pela fé. O ponto de vista teológico representado neste livro é o do cristianismo evangélico a partir de uma perspectiva reformada ou calvinista. A soteriologia reformada tem muito em comum com outras soteriologias evangélicas, mas possui certas ênfases distintas. Entre essas ênfases estão as seguintes: ( 1) O fator decisivo para a determinação de quem será salvo do pecado não é uma decisão dos seres humanos envolvidos, mas a graça soberana de Deus - ainda que a decisão humana tenha papel significativo no processo. (2) A aplicação da salvação ao povo de Deus tem suas raízes no decreto eterno de Deus, segundo o qual ele escolheu seu povo para a vida eterna, 18 SALVOS PELA GRAÇA não com base em qualquer mérito da parte desse povo, mas somente pelo próprio prazer de Deus. (3) Embora todos que escutam a mensagem do evangelho sejam convidados a aceitar Cristo e sua salvação, e são honestamente conclamados a tal aceitação, a graça salvadora de Deus, no sentido mais estrito da palavra, não é universal, mas particular, sendo concedida só aos eleitos de Deus (aqueles que foram escolhidos por Deus em Cristo para a salvação). ( 4) A graça salvadora de Deus é, assim, eficaz e impossível de ser perdida. Isso não quer dizer que, deixados por si mesmos, os crentes não possam desviar-se de Deus, mas, pelo contrário, significa que a vontade de Deus não permite que seus escolhidos percam a salvação. A segurança espiritual dos crentes, portanto, depende, principalmente, não de que eles se segurem em Deus, mas de que Deus os segura. (5) Embora a aplicação da salvação ao povo de Deus envolva, nos aspectos mais distintos da regeneração, no seu sentido mais restrito, vontade humana e obras, ainda assim a aplicação é, principalmente, obra do Espírito Santo. Essas ênfases distintas formam a soteriologia reformada. Embora realce a soberania da graça de Deus na aplicação da salvação, a teologia reformada não nega a responsabilidade humana no processo de salvação. Num estudo anterior tentei desenvolver um aspecto desse pensamento em um capítulo intitulado "O homem como pessoa criada".3 Ressaltei ali que o ser humano é ao mesmo tempo uma criatura totalmente dependente de um Deus soberano, e uma pessoa que toma decisões responsáveis. Essa combinação de total dependência e liberdade de decisão constitui o mistério central do homem.4 Como essa visão do homem afeta nosso entendimento do processo de salvação? Embora Deus tenha de regenerar os seres humanos e dar-lhes nova vida espiritual, os crentes têm uma responsabilidade no processo de sua salvação: no exercício de sua fé, na sua santificação e em sua perseverança. Desde que os seres humanos estão por natureza mortos nos pecados, Deus tem de vivificá-los; a regeneração, num sentido restrito,5 tem de ser obra exclusiva de Deus. Mas nos aspectos do processo da salvação, que são distintos da regeneração, tanto Deus quanto os crentes são envolvidos - podemos falar de salvação nesse sentido como sendo tanto obra de Deus quanto tarefa nossa. Algumas vezes estes aspectos - arrependimento, fé, santificação, perseverança, e outros - são descritos como obras de Deus nas quais os crentes cooperam. O problema com essa colocação, entretanto, é que ela parece implicar que cada um, Deus e nós, faz uma parte da obra. Seria melhor dizer que nesse aspecto de nossa salvação (distinto da regeneração), Deus trabalha e nós trabalhamos. Nossa santificação, por exemplo, é, ao mesmo tempo, cem por cento obra de Deus e cem por cento nosso trabalho. ORIENTAÇÃO 19 Paulo nos oferece uma expressão clássica a essa "misteriosa cooperação" do trabalho e Deus e do nosso trabalho, em Filipenses 2.12-13: "Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes( ... ) desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade". 6 Ü CONCEITO DE p ARADOXO Podemos dizer que aqui estamos lidando com o que é comumente chamado de paradoxo - isto é, a combinação de dois pensamentos que parecem contradizer-se. Não nos parece possível harmonizar em nossa mente estes dois aspectos da verdade bíblica: que de um lado somente Deus deve nos santificar, mas que, de outro lado, nós precisamos operar nossa santificação pelo aperfeiçoamento de nossa santidade. Nem parece possível harmonizar estes dois pensamentos aparentemente contraditórios: que Deus é totalmente soberano sobre nossa vida, dirigindo-nos segundo sua vontade, mas é requerido que tomemos nossa própria decisão, sendo totalmente responsabilizados por ela. Precisamos crer, contudo, que os dois lados desse conjunto de pensamentos, aparentemente contraditórios, são verdadeiros, pois a Bíblia ensina ambos. Por exemplo, a Bíblia ensina claramente a soberania de Deus: "Como ribeiros de águas, assim é o coração do rei nas mãos do SENHOR; este, segundo o seu querer, o inclina" (Pv 21.1 ); "Nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade" (Ef 1.11 ); "Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro [a referência é feita a seres humanos] fazer um vaso para honra e outro, para desonra?" (Rm 9.21). Mas a Bíblia também ensina claramente a responsabilidade humana: "Por isso quem crê no Filho, tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus" (Jo 3.36); "Porque o Filho do homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um segundo as suas obras" (Mt. 16.27); "E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras" (Ap 22.12). Em pelo menos duas passagens, esses dois aspectos da verdade bíblica se encontram: Lucas 22.22 ("Porque o Filho do Homem, na verdade, vai segundo o que está determinado, mas ai daquele por intermédio de quem ele está sendo traído!"); e Atos 2.23 ("sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos"). Deus certamente decretou a morte de Cristo; ainda assim, aquele que traiu a Jesus e os que o mataram são responsabilizados pelas suas obras iníquas. 20 SALVOS PELA GRAÇA Se desejamos entender as Escrituras, precisamos aceitar o conceito de paradoxo, crendo que aquilo que não conseguimos entender com nossa mente finita se harmoniza, de alguma forma, na mente de Deus. A necessidade de aceitar verdades paradoxais é reconhecida por muitos teólogos reformados. João Calvino é um deles. Calvino, conforme diz Edward Dowe, estava disposto a combinar doutrinas claras em si mesmas, mas logicamente incompatíveis uma com a outra, já que ambas estão na Bíblia.7

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